Hoje ouvi uma pérola enquanto conversava amigavelmente com uma pessoa próxima sobre o que seriam amostras válidas para uma pesquisa: "não discuto mais isso com você até que você leia os livros que estou lendo".
Bem... É... Vamos lá... (fôlego)...
Quer dizer que o conhecimento adquirido a partir da vivência de uma pessoa não vale nada? Não merece nem sequer ser ouvido??? Comparar opiniões de pessoas com conhecimentos adquiridos pela vivência com conhecimentos oferecidos por meios letrados está fora de questão?
De forma alguma quero desmerecer os autores de livros. Se eles os escreveram e principalmente se são utilizados para ensinar outras pessoas (creio que seja essa a principal utilidade de um livro acadêmico) é porque o autor deve saber o que está falando.
Mas não raro vemos casos em que novas teorias substituem ou complementam teorias anteriores, daí afirmo, sem medo algum de errar, que todo o conhecimento sobre determinado assunto deve ser considerado antes de se chegar a uma conclusão e, logo, você também não pode se fechar para novas teorias, mesmo quando já chegou a tal conclusão.
Sendo um pouco sarcástico, fico aqui imaginando como a humanidade conseguiu se formar antes dos livros serem criados... O que me faz pensar em outro exemplo: imaginem se ninguém tivesse dado ouvidos a um certo senhor chamado Sócrates que, sem escrever uma linha sequer, mudou a filosofia e fixou a pedra fundamental para todas as ciências atuais. Afinal, antes dele existiram os filósofos pré-socráticos, que deixaram suas obras em manuscritos...
Sinceramente me senti ofendido ao apenas dar uma opinião que deveria servir para ajudar a construir o trabalho da pessoa, mas isso é outro papo.
Afinal, isso aqui é um blog de informática e o que esse papo tem a ver com o tema? Simples, a informática, segundo o Wikipédia, é o conjunto das ciências de informação e o caso apresentado trata exatamente disso: informação e como repassá-la.
Nós do setor de TI seguidamente esquecemos que o alvo da nossa ciência é a informação e não os computadores e programas.
Focamos nosso trabalho não no levantamento de como as informações que o cliente possui precisam ser tratadas para virar um produto e normalmente nos fixamos em como fazer um sistema para que os processos sejam feitos usando o computador. Isso é errado, porque o produto final não estará agregando nada ao processo de criação do produto do cliente.
Contextualizando, o que seria dado, informação e conhecimento? Segundo o Wikipédia:
- Os dados referem-se a uma recolha de informações organizadas, normalmente o resultado da experiência ou observação de outras informações dentro de um sistema de computador, ou um conjunto de instalações. Os dados podem consistir em números, palavras ou imagens, as medições e observações de um conjunto de variáveis.
- A informação é o resultado do processamento, manipulação e organização de dados de tal forma que represente uma modificação (quantitativa ou qualitativa) no sistema (pessoa, animal ou máquina) que a recebe.
- O conhecimento se dá quando usamos ou transformamos informações em algo palpável.
Então, como devemos tratar as informações e os conhecimentos antes de produzir um software para um cliente?
Devemos, obrigatoriamente, esquecer que conhecemos computadores e entender as informações que o cliente possui, como essas informações são processadas e como é gerado um conhecimento, que pode ser tanto o resultado de um processamento (contadores, advogados, engenheiros, etc) quanto um produto final manufaturado (uma fábrica, etc).
Entendendo os processos que transformam a informação em conhecimento teremos condições de aplicar nossa ciência muito mais eficientemente e sugerir mudanças nesse processo de transformação, agregando então eficácia (conseguir atingir um objetivo) e eficiência (atingir os objetivos com o mínimo de esforço) ao produto do cliente. Isso faz da TI uma ferramenta capaz de trazer a corporação o diferencial competitivo que tanto se necessita nos dias atuais.
Fazendo uma ligação entre o caso apresentado com a teoria do conhecimento, nós, profissionais de TI, jamais podemos, por exemplo, esquecer de ouvir atentamente os funcionários mais antigos de uma corporação no momento de prospectar um novo produto.
Normalmente nós lemos documentos que definem os padrões, ouvimos gerentes que nos dizem como a empresa funciona e tratamos esses profissionais, por ter idade avançada ou por "fazer a mesma coisa há anos", como problemas a superar, como barreiras, porque serão os mais difíceis de se adaptar.
Penso o contrário. Está neles toda a informação e o conhecimento necessário para se entender com clareza os processos da organização. Neles está a prática que não está nem nos documentos nem nos gerentes. Basta tratá-los com o respeito merecido, com certa psicologia e sempre valorizar ao máximo seus anos de experiência. Depois disso trazê-los para a nova realidade será muito mais fácil, mesmo que seja necessário dispensar mais tempo de treinamento no uso do computador e/ou software.
Para muitos isso é tão comum quanto respirar, mas para outros isso será uma quebra total de paradigma.
É isso.
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segunda-feira, 25 de maio de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
O assédio moral nas empresas de TI
Aproveitando o Dia do Trabalho, quero falar sobre Assédio Moral.
Isso é um assunto pra lá de sério e é consequencia de fatores que comentarei em outro momento. Meu ponto hoje é especificamente o assédio.
O assédio moral que é proibido por lei trabalhista, mas será que é eficiente? Será que a lei realmente coibe? Será que a lei engloba todas as situações que os profissionais de TI são submetidos?
O que é assédio moral para a justiça? Um excelente endereço eletrônico que reproduz o conceito jurídico pode ser lido neste site http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9021 escrito pelo Juiz Mauro Vasni Paroski do Paraná. Excelente trabalho. Outro site importante sobre o assunto é http://www.assediomoral.org/ escrito por trabalhadores e específico sobre o assunto.
Mas e aí? A lei é clara, mas não é fácil ser aplicada, porque depende de denúncia ou abertura de processo trabalhista. Não há fiscalização e a maioria dos sindicatos de processamento de dados estatuais não possuem força suficiente (assunto para outra ocasião) para dar "medo" nos empresários e chefes assediadores.
Outro dia ouvi de colegas de outras empresas que seus diretores listaram quais funcionários participaram de um concurso público. Até aí tudo bem. Muita coisa pode ser extraída de uma relação dessas. Será que nossa empresa está cuidando bem do lado pessoal dos funcionários? Será que o salário está adequado? Estamos errando em alguma coisa? Mas, claro, esses não foram o objetivo. Cada um dos funcionários foram chamados na direção para dar EXPLICAÇÕES sobre o POR QUE fizeram tal concurso! Será isso um assédio moral? A lei não é explícita, mas diz que "a exposição a situações humilhantes ou constrangedoras" é assédio moral, logo, no meu conceito, a referida diretoria feriu o direito dos seus profissionais. E sinceramente, pra que?
Comigo mesmo, há alguns anos, entrei em conflito de opiniões com um superior. Nada demais, mas o mesmo ficou com o orgulho ferido. No final do dia fui chamado até a gerência para receber a maior bronca da minha história profissional. Eu entre quatro gerentes sem a menor chance de explicar o que houve, pois tudo que falava se voltava contra mim. Dedos em riste diante da minha face e tudo mais..... Naquele momento o peso de esposa e filhos pesou mais que o orgulho, mas a ferida ficou aberta. E quem perdeu com isso? Eu ou a empresa que não conta mais com todo o legado de conhecimento de regras de negócio dos clientes que eu obtive durante anos?
Isso são apenas dois exemplos. Você que está lendo essas linhas deve refletir sobre o que acontece na sua empresa. Se você é chefe, reveja seus atos, se é funcionário, pense em como é tratado.
Mas então o que se pode fazer para amenizar essa situação a longo prazo? Penso que o sindicato seria a saída. Temos que fortalecer os sindicatos para que esses possam receber denúncias anônimas e ter o poder de intervir nas empresas fazendo investigações. Hoje, onde trabalho, o sindicato tem no máximo 5 minutos antes do horário do almoço para dar seu recado, que quase ninguém ouve, infelizmente.
Não sou sindicalista nem petista radical, mas faço parte do lado fraco da corda. Nós da área de TI não temos mais a mesma importância que antigamente quando se trata de recursos humanos. Nosso conhecimento e o resultado de nosso trabalho é vital para qualquer empresa nos dias atuais, mas somos tratados como operários (sem querer desmerecer ninguém!) de chão de fábrica do século XIX. Precisamos reverter essa situação e valorizar ao máximo o nosso conhecimento!
Isso é um assunto pra lá de sério e é consequencia de fatores que comentarei em outro momento. Meu ponto hoje é especificamente o assédio.
O assédio moral que é proibido por lei trabalhista, mas será que é eficiente? Será que a lei realmente coibe? Será que a lei engloba todas as situações que os profissionais de TI são submetidos?
O que é assédio moral para a justiça? Um excelente endereço eletrônico que reproduz o conceito jurídico pode ser lido neste site http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9021 escrito pelo Juiz Mauro Vasni Paroski do Paraná. Excelente trabalho. Outro site importante sobre o assunto é http://www.assediomoral.org/ escrito por trabalhadores e específico sobre o assunto.
Mas e aí? A lei é clara, mas não é fácil ser aplicada, porque depende de denúncia ou abertura de processo trabalhista. Não há fiscalização e a maioria dos sindicatos de processamento de dados estatuais não possuem força suficiente (assunto para outra ocasião) para dar "medo" nos empresários e chefes assediadores.
Outro dia ouvi de colegas de outras empresas que seus diretores listaram quais funcionários participaram de um concurso público. Até aí tudo bem. Muita coisa pode ser extraída de uma relação dessas. Será que nossa empresa está cuidando bem do lado pessoal dos funcionários? Será que o salário está adequado? Estamos errando em alguma coisa? Mas, claro, esses não foram o objetivo. Cada um dos funcionários foram chamados na direção para dar EXPLICAÇÕES sobre o POR QUE fizeram tal concurso! Será isso um assédio moral? A lei não é explícita, mas diz que "a exposição a situações humilhantes ou constrangedoras" é assédio moral, logo, no meu conceito, a referida diretoria feriu o direito dos seus profissionais. E sinceramente, pra que?
Comigo mesmo, há alguns anos, entrei em conflito de opiniões com um superior. Nada demais, mas o mesmo ficou com o orgulho ferido. No final do dia fui chamado até a gerência para receber a maior bronca da minha história profissional. Eu entre quatro gerentes sem a menor chance de explicar o que houve, pois tudo que falava se voltava contra mim. Dedos em riste diante da minha face e tudo mais..... Naquele momento o peso de esposa e filhos pesou mais que o orgulho, mas a ferida ficou aberta. E quem perdeu com isso? Eu ou a empresa que não conta mais com todo o legado de conhecimento de regras de negócio dos clientes que eu obtive durante anos?
Isso são apenas dois exemplos. Você que está lendo essas linhas deve refletir sobre o que acontece na sua empresa. Se você é chefe, reveja seus atos, se é funcionário, pense em como é tratado.
Mas então o que se pode fazer para amenizar essa situação a longo prazo? Penso que o sindicato seria a saída. Temos que fortalecer os sindicatos para que esses possam receber denúncias anônimas e ter o poder de intervir nas empresas fazendo investigações. Hoje, onde trabalho, o sindicato tem no máximo 5 minutos antes do horário do almoço para dar seu recado, que quase ninguém ouve, infelizmente.
Não sou sindicalista nem petista radical, mas faço parte do lado fraco da corda. Nós da área de TI não temos mais a mesma importância que antigamente quando se trata de recursos humanos. Nosso conhecimento e o resultado de nosso trabalho é vital para qualquer empresa nos dias atuais, mas somos tratados como operários (sem querer desmerecer ninguém!) de chão de fábrica do século XIX. Precisamos reverter essa situação e valorizar ao máximo o nosso conhecimento!
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